Desta vez, exponho na íntegra o que Mario Vargas Llosa escreveu sobre a ida de Lula a Cuba. O texto foi publicado no Estado de São Paulo e em seu livro Sabres e Utopias - Visões da América Latina. Neste último o título do texto é: Lula e os Castro no jornal o título era A decepcionante visita de Lula. O texto é magnífico. Não atoa o autor é premio Nobel de Literatura. Existem diferenças pequenas entre o texto publicado no Estadão e no Livro. Prefiro a do último mas utilizo a do jornal. Motivo? Ruborizo-me, preguiça. Vamos a ele!
Minha capacidade de indignação política atenua-se um pouco nos meses do ano que passo na Europa. Suponho que a razão disso seja o fato de que, lá, vivo em países democráticos nos quais, independentemente dos problemas de que padecem, há uma ampla margem de liberdade para a crítica, e a imprensa, os partidos, as instituições e os indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente no campo político.
Entretanto, na América Latina, onde costumo passar de três a quatro meses ao ano, esta capacidade de indignação volta sempre, com a fúria da minha juventude, e me faz viver sempre temeroso, alerta, desassossegado, esperando (e perguntando-me de onde virá desta vez) o fato execrável que, provavelmente, passará despercebido para a maioria, ou merecerá o beneplácito ou a indiferença geral.
Na semana passada, experimentei mais uma vez esta sensação de asco e de ira, ao ver o risonho presidente Lula do Brasil abraçando carinhosamente Fidel e Raúl Castro, no mesmo momento em que os esbirros da ditadura cubana perseguiam os dissidentes e os sepultavam nos calabouços para impedir que assistissem ao enterro de Orlando Zapata Tamayo, o pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os algozes castristas deixaram morrer de inanição - depois de submetê-lo em vida a confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere - depois de 85 dias de greve de fome.
Qualquer pessoa que não tenha perdido a decência e tenha um mínimo de informação sobre o que acontece em Cuba espera do regime castrista que aja como sempre fez. Há uma absoluta coerência entre a condição de ditadura totalitária de Cuba e uma política terrorista de perseguição a toda forma de dissidência e de crítica, a violação sistemática dos mais elementares direitos humanos, de falsos processos para sepultar os opositores em prisões imundas e submetê-los a vexames até enlouquecê-los, matá-los ou impeli-los ao suicídio. Os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente.
DESCARAMENTO
Mas de Luiz Inácio Lula da Silva, governante eleito em eleições legítimas, presidente constitucional de um país democrático como o Brasil, seria de esperar, pelo menos, uma atitude um pouco mais digna e coerente com a cultura democrática que teoricamente ele representa, e não o descaramento indecente de exibir-se, risonho e cúmplice, com os assassinos virtuais de um dissidente democrático, legitimando com sua presença e seu proceder a caçada de opositores desencadeada pelo regime no mesmo instante em que ele era fotografado abraçando os algozes de Zapata.
O presidente Lula sabia perfeitamente o que estava fazendo. Antes de viajar para Cuba, 50 dissidentes lhe haviam pedido uma audiência durante sua estadia em Havana para que intercedesse perante as autoridades da ilha pela libertação dos presos políticos martirizados, como Zapata, nos calabouços cubanos. Ele se negou a ambas as coisas.
Não os recebeu nem defendeu sua causa em suas duas visitas anteriores à ilha, cujo regime liberticida sempre elogiou sem o menor eufemismo.
Além disso, este comportamento do presidente brasileiro caracterizou todo o seu mandato. Há anos que, em sua política exterior, ele desmente de maneira sistemática sua política interna, na qual respeita as regras do estado de direito, e, em matéria econômica, em vez das receitas marxistas que propunha quando era sindicalista e candidato - dirigismo econômico, estatizações, repúdio dos investimentos estrangeiros, etc. -, promove uma economia de mercado e da livre iniciativa como qualquer estadista social-democrata europeu.
Mas, quando se trata do exterior, o presidente Lula se despe de suas vestimentas democráticas e abraça o comandante Chávez, Evo Morales, o comandante Ortega, ou seja, com a escória da América Latina, e não tem o menor escrúpulo em abrir as portas diplomáticas e econômicas do Brasil aos sátrapas teocráticos integristas do Irã.
O que significa esta duplicidade? Que Lula nunca mudou de verdade? Que é um simples mascarado, capaz de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal cívica e moral? Segundo alguns, os desígnios geopolíticos para o Brasil do presidente Lula estão acima de questiúnculas como Cuba, ou a Coreia do Norte, uma das ditaduras onde se cometem as piores violações dos direitos humanos e onde há mais presos políticos.
O importante para ele são coisas mais transcendentes como o Porto de Mariel, que o Brasil está financiando com US$ 300 milhões, ou a próxima construção pela Petrobrás de uma fábrica de lubrificantes em Havana. Diante de realizações deste porte, o que poderia importar ao "estadista" brasileiro que um pedreiro cubano qualquer, e ainda por cima negro e pobre, morresse de fome clamando por ninharias como a liberdade? Na verdade, tudo isto significa, infelizmente, que Lula é um típico mandatário "democrático" latino-americano.
Quase todos eles são do mesmo feitio, e quase todos, uns mais, outros menos, embora - quando não têm mais remédio - praticam a democracia no seio dos seus próprios países, mas, no exterior, não têm nenhuma vergonha, como Lula, em cortejar ditadores e demagogos, porque acham, coitados, que desta maneira os tapinhas amistosos lhes proporcionarão uma credencial de "progressistas" que os livrará de greves, revoluções e de campanhas internacionais acusando-os de violar os direitos humanos.
Como lembra o analista peruano Fernando Rospigliosi, em um artigo admirável: "Enquanto Zapata morria lentamente, os presidentes da América Latina - entre eles o algoz cubano - reuniam-se no México para criar uma organização (mais uma!) regional. Nem uma palavra saiu dali para exigir a liberdade ou um melhor tratamento para os mais de 200 presos políticos cubanos." O único que se atreveu a protestar - um justo entre os fariseus - foi o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera.
De modo que a cara de qualquer um destes chefes de Estado poderia substituir a de Luiz Inácio Lula da Silva, abraçando os irmãos Castro, na foto que me revoltou o estômago ao ver os jornais da manhã.
Estas caras não representam a liberdade, a limpeza moral, o civismo, a legalidade e a coerência na América Latina. Estes valores estão encarnados em pessoas como Orlando Zapata Tamayo, nas Damas de Branco, Oswaldo Payá, Elizardo Sánchez, a blogueira Yoani Sánchez, e em outros cubanos e cubanas que, sem se deixarem intimidar pelas pressões, as agressões e humilhações cotidianas de que são vítimas, continuam enfrentando a tirania castrista. E se encarnam ainda, em primeiro lugar, nas centenas de prisioneiros políticos e, sobretudo, no jornalista independente Guillermo Fariñas, que, enquanto escrevo este artigo, há oito dias está em greve de fome em Cuba para protestar pela morte de Zapata e exigir a libertação dos presos políticos.
O curioso e terrível paradoxo é que no interior de um dos mais desumanos e cruéis regimes que o continente conheceu se encontrem hoje os mais dignos e respeitáveis políticos da América Latina
Agora sou eu de novo. Lula já tem amor incondicional por Fidel há séculos. Mesmo antes do famigerado Foro de São Paulo.
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil
Olá leitores! Um livro que acho especialmente interessante é o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil de Leandro Narloch. O livro trata de diversos assuntos polêmicos para nossa época, em especial dois: Escravidão e Comunistas (nome dos capítulos do livro). O trecho do livro que escolhi está no capítulo Comunistas e talvez tenha sido o que mais me impactou. O título do capítulo se chama "Elza, a Olga que Prestes matou".
Seu nome era Elvira Cupello Calônio, seu codinome Elza. Esta história aconteceu muito antes da revolução de 1964, se deu na década de 30. Elza era uma menina de 16 anos que os comunistas tentaram faze-la passar por 21 para amenizar a barbárie que cometeram. Por apenas suspeitarem, sem ter nenhuma prova concreta de uma possível traição, Elza, que era namorada de Antonio Maciel Bonfim, codinome Miranda, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, foi condenada a morte e executada em 2 de março de 1936. Seu crime? Uma suspeita insana do "herói" comunista brasileiro de que Elza fosse informante da polícia.
Para esclarecer dois pontos do parágrafo anterior: Por que Elza tinha 16 e não 21 anos? Em primeiro lugar porque os médicos legistas da menina assim confirmaram. Depois porque os próprios militantes como, por exemplo, Maria Werneck de Castro, afirmaram que Elza não aparentava mais do que 16 anos.
Sobre as suspeitas serem infundadas: Os próprios companheiros de Prestes tentaram convence-lo a não seguir com a execução, posto que a menina havia passado por um interrogatório exaustivo, criado por um espião russo chamado Stuchevski, sem cair em contradição. Alertaram também para uma possível repercussão negativa caso o caso viesse a ser descoberto. Mas Prestes estava convencido e ordenou o assassinato. Este e mais 3 envolvidos foram condenados a penas de 20 a 30 anos pelo crime e posteriormente anistiados por Getúlio Vargas em 1945.
Obs.: Na época, o caso hoje tão esquecido, realmente repercutiu tão mal que, até a Internacional Socialista em Moscou investigou o caso e apontou Prestes, como mandante, Martins e Francisco Lyra como executores.
Meus comentários: A máxima de que comunista come criancinha é irreal mas, se os mesmos não são canibais, são assassinos e matam quem for necessário porque o indivíduo não é nada e o delírio da causa coletiva está acima de qualquer vida humana. Lamentável...
Seu nome era Elvira Cupello Calônio, seu codinome Elza. Esta história aconteceu muito antes da revolução de 1964, se deu na década de 30. Elza era uma menina de 16 anos que os comunistas tentaram faze-la passar por 21 para amenizar a barbárie que cometeram. Por apenas suspeitarem, sem ter nenhuma prova concreta de uma possível traição, Elza, que era namorada de Antonio Maciel Bonfim, codinome Miranda, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro, foi condenada a morte e executada em 2 de março de 1936. Seu crime? Uma suspeita insana do "herói" comunista brasileiro de que Elza fosse informante da polícia.
Para esclarecer dois pontos do parágrafo anterior: Por que Elza tinha 16 e não 21 anos? Em primeiro lugar porque os médicos legistas da menina assim confirmaram. Depois porque os próprios militantes como, por exemplo, Maria Werneck de Castro, afirmaram que Elza não aparentava mais do que 16 anos.
Sobre as suspeitas serem infundadas: Os próprios companheiros de Prestes tentaram convence-lo a não seguir com a execução, posto que a menina havia passado por um interrogatório exaustivo, criado por um espião russo chamado Stuchevski, sem cair em contradição. Alertaram também para uma possível repercussão negativa caso o caso viesse a ser descoberto. Mas Prestes estava convencido e ordenou o assassinato. Este e mais 3 envolvidos foram condenados a penas de 20 a 30 anos pelo crime e posteriormente anistiados por Getúlio Vargas em 1945.
Obs.: Na época, o caso hoje tão esquecido, realmente repercutiu tão mal que, até a Internacional Socialista em Moscou investigou o caso e apontou Prestes, como mandante, Martins e Francisco Lyra como executores.
Meus comentários: A máxima de que comunista come criancinha é irreal mas, se os mesmos não são canibais, são assassinos e matam quem for necessário porque o indivíduo não é nada e o delírio da causa coletiva está acima de qualquer vida humana. Lamentável...
Apresentação do Blog
Este blog não destina-se a fazer uma resenha de livros mas sim cita-los e comentá-los. Obviamente serão bem recebidas críticas, positivas ou não, aos comentários. Não pretendo apagar nenhum comentário ainda que ofensivo. Só não digo que nunca apagarei porque sou humano e talvez alguém consiga me tirar do sério o suficiente. Mas certamente isso só acontecerá caso o nível fique muito abaixo do lamentável.
Minhas posições ao longo do que for escrevendo traçarão um perfil do que sou e, portanto, não vou me rotular deixo a cargo de quem por ventura vier a lê-lo.
Desde de já, agradeço o tempo dispendido aos leitores. Espero que gostem e desgostem.
Minhas posições ao longo do que for escrevendo traçarão um perfil do que sou e, portanto, não vou me rotular deixo a cargo de quem por ventura vier a lê-lo.
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